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Tecendo saberes e arte: catálogo apresenta cestaria Yanomami

O trançado da cestaria Yanomami tem início com caminhadas na terra-floresta, a urihi a, para a coleta dos cipós e do Përɨsɨ, uma espécie de fungo retirado cuidadosamente pelas mulheres. Depois de prontas, as peças únicas guardam uma herança do saber ancestral passado entre as gerações. Cultura, arte e cosmovisão Yanomami presentes nas cestarias são apresentadas no Catálogo Arte Yanomami, uma produção realizada em parceria pela Hutukara Associação Yanomami e pelo Instituto Socioambiental (ISA), publicado nesta sexta-feira (29). Acesse aqui o Catálogo Cestaria Yanomami No catálogo, estão descritos os nomes dos cestos, os formatos e dimensões, o que torna mais ágil o diálogo para a comercialização justa e ética. Com o guia, é possível saber, por exemplo, que o Xotehe é um cesto raso trançado pelas mulheres Yanomami utilizando cipó titica com fios de fungo negro (o Përɨsɨ) ou tiras de raízes pretas da palmeira paxiubinha. Quando o trançado tem ponto fechado, é utilizado para acondicionar alimentos. Mas se a trama é aberta, tradicionalmente é usado na pesca. E é possível entender que alguns dos cestos, os mais alongados, utilizados para viagens na mata ou para guardar alimentos, são trançados apenas por mulheres. Um saber repassado de geração para geração. Outros, que servem como utensílios de cozinha, em formato tubular ou de peneira, são produzidos por homens do grupo Sanöma. A comercialização das peças de arte yanomami é uma forma de valorizar o trabalho desenvolvido principalmente pelas mulheres desse povo, além de fortalecer o território, a cultura e os saberes ancestrais Yanomami. Para os Yanomami, a cestaria é usada no dia a dia. Mas a arte indígena pode receber outros usos, como fruteiras, revisteiros e adornos nas paredes. Caminho da cestaria Os cestos Yanomami são produzidos nas comunidades, no centro da floresta Amazônica. Após confeccionados, são encaminhados pelas lideranças comunitárias para a Hutukara Associação Yanomami, que se responsabiliza pelo armazenamento, cuidado e venda das peças. Todo o recurso arrecadado com as vendas das cestarias é revertido nas compras de matihipë – objetos diversos – solicitados pelas comunidades. A Hutukara Associação Yanomami (HAY) é uma organização sem fins lucrativos fundada em 2004 pelo xamã e líder político Davi Kopenawa Yanomami. Sua missão é representar os povos Yanomami e Ye’kwana que vivem na Terra Indígena Yanomami, nos estados brasileiros de Roraima e Amazonas, sobretudo consolidando o protagonismo indígena para defender os direitos territoriais e atuando na mediação e no acompanhamento da implementação de políticas públicas que contribuam para o bem viver das comunidades. Em parceria com o ISA, a Hutukara desenvolve projetos que fortalecem as economias da sociobiodiversidade, a cultura e os saberes por meio de produtos da floresta, como cestarias, cogumelos, castanhas e cacau. Esses projetos envolvem 78 comunidades e cerca de 900 indígenas. Conheça alguns dos cestos:   Wɨɨa é um cesto alongado de ponto fechado e com fundo arredondado. É trançado por mulheres Yanomami e feito de cipó titica com detalhes de fios de fungo negro (o Përɨsɨ) ou com pinturas de tintas naturais. Wɨɨa é o recipiente onde as mulheres levam os produtos da coleta e da roça e carregam a lenha para cozinhar e aquecer a casa coletiva durante a noite. Xotehe é um cesto raso trançado de cipó titica com fios de fungo negro (o Përɨsɨ) ou tiras de raízes pretas da palmeira paxiubinha. Feito pelas mulheres Yanomami, pode ter o trançado com ponto fechado, utilizado para acondicionar alimentos, ou de trama de aberta, tradicionalmente utilizado na pesca. Tipiti é um cesto tubular, uma espécie de prensa, confeccionado por homens Yanomami do grupo Sanöma. É trançado com fibras de arumã, de cor crua, e fibras tingidas com tintas naturais. É utilizado pelas mulheres para espremer o suco venenoso da mandioca brava. O líquido pode ser aproveitado para fazer o tucupi. Já a massa que resulta da extração, após a secagem é transformada em farinha ou beiju. Sotea ose é um cesto de bordas baixas, uma espécie de peneira, confeccionado por homens Yanomami do grupo Sanöma. É trançado com fibras de arumã, em cor crua, e fibras tingidas com tintas naturais. Utensílio de cozinha, serve como travessa para apoiar frutas e outros alimentos, recolher a massa de mandioca, guardar e servir o beiju, que é comido coletivamente em família.   Para adquirir a sua cestaria Yanomami, entre em contato por meio dos seguintes canais de venda: E-mail: produtosdafloresta@hutukarayanomami.org Telefone: +55 (95) 99114 4960 Ficha técnica Catálogo Arte Yanomami REFERÊNCIA DO CONTEÚDO Hutukara Associação Yanomami e Instituto Socioambiental ORGANIZAÇÃO Hutukara Associação Yanomami PREPARAÇÃO DE TEXTO E ORGANIZAÇÃO Emmily Melo | Comunicação Hutukara Associação Yanomami María Patricia Molina Contreras | Assessora Produtos da Floresta Hutukara Associação Yanomami PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Will Cavalcante (willilogia@gmail.com) Karla Machado (karladelimachado@gmail.com) CAPA E ILUSTRAÇÕES Will Cavalcante (willilogia@gmail.com) FOTOGRAFIA DE CAPA Roberto Almeida/ISA IMAGENS FOTOGRÁFICAS Matthieu Jean Marie Lena | ISA Juliana Carla Silva de Paula | ISA Rogério Assis | ISA Roberto Almeida | ISA Contato Assessoria de Imprensa: comunicacao@hutukarayanomami.org

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Joseca Yanomami ilustra cenas da vida cotidiana na floresta. Foto: Daniel Tancredi/Platô Filmes/ISA

Exposição inédita de Joseca Yanomami em São Paulo revela sonhos e mitos da floresta

Com cerca de 30 obras inéditas, a exposição Urihi mãripraɨ – Sonhar a terra-floresta, que inaugurou no último dia 16 de agosto na Almeida & Dale Galeria de Arte, em São Paulo, apresenta a linguagem única de Joseca Mokahesi Yanomami, artista nascido em 1971 que transforma em imagens os sonhos e narrativas xamânicas da floresta amazônica. A entrada é gratuita. Filho de um grande xamã, Joseca desenvolveu seu traço desde a infância. Na mostra, com curadoria do antropólogo Bruce Albert, o público poderá apreciar desenhos e telas nascidas das interpretações da cosmologia Yanomami, onde humanos, animais, espíritos e a floresta formam uma rede interdependente e viva. Além de artista, Joseca também é professor. Na década de 1990, ele fundou a primeira escola yanomami em sua comunidade, incentivando jovens e crianças a se alfabetizarem na língua yanomae. Nesse período, participou da produção de diversas cartilhas bilíngues (yanomae/português) para os  programas de educação escolar e de saúde. Exposições nacionais e internacionais A convite de Bruce, amigo de longa data do artista, Joseca participou em 2003 de sua primeira exposição, L’Esprit de la Forêt na Fondation Cartier, Paris, França, e começou a circular  em exposições nacionais e internacionais. Realizou sua primeira individual, Kami Yamakɨ Urihipë [Nossa Terra Floresta], no MASP, São Paulo, Brasil (2022). Participou da 60ª Bienal de Veneza, Itália (2024). Destacam-se  também exposições coletivas como: Maxita Yano, Instituto Inhotim, Belo Horizonte, Brasil (2025); Badu Gili:  Healing Spirit, Ópera de Sydney, Austrália (2024); Dancing With All: The Ecology Of Empathy, 21st Century  Museum of Contemporary Art, Kanazawa, Japão (2024); 38º Panorama da Arte Brasileira, MAM São Paulo,  Brasil (2024); Siamo Foresta, Triennale Milano, Milão, Itália (2023); Histórias Indígenas, MASP, São Paulo, Brasil  (2023); Les Vivants, Le Tripostal, Lille, França (2022); Moquém Surarî: arte indígena contemporânea, MAM São  Paulo, Brasil (2021); e Trees, Power Station of Art, Xangai, China (2021). Sua obra está presente nas coleções  da Fondation Cartier pour l’art contemporain, França; MAM São Paulo, Brasil; e MASP, Brasil. A representação  de Joseca Yanomami é uma parceria entre a Almeida & Dale e a Hutukara Associação Yanomami. Serviço Urihi mãripraɨ – Sonhar a terra-floresta Exposição individual de Joseca Mokahesi Yanomami Curadoria: Bruce Albert De 16 de agosto a 11 de outubro de 2025 Segunda a sexta, 10h às 19h | Sábado, 11h às 16h Almeida & Dale Galeria de Arte Rua Fradique Coutinho, 1360, São Paulo, SP

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